O lustre lembra cenas de filme em preto e branco. As mesas são de madeira e as fotografias na parede são de cenas do início do século, de uma Santa Maria que não volta mais.
Nem tudo é perfeito, não gosto dos espelhos nas paredes. Fora isso, o que chama minha atenção é uma das funcionárias sempre com um paninho branco pra manter tudo limpo e a conta que vem afixada em um CD.
A música ambiente é relaxante e lembra Bossa Nova. Sento-me de frente para a porta e observo as centenas de pessoas passando sem parar no Calçadão. Sei que lá fora está um inferno. Gente correndo, gritando, brigando e desejando não ter que voltar ao trabalho. Mas eu só vejo cenas, não escuto o som deles.
A minha esquerda, um pouco mais a frente, duas loirinhas que aparentam ter uns 15 anos almoçam. As duas parecem felizes, não param de sorrir e cochichar. Sempre tenho companhia no Copacabana. Há umas 30 mesas, mas somente a minha e a das garotas está ocupada. Uma vez por semana almoço aqui e é sempre assim.
Termino com minhas empadas da confeitaria mais antiga da cidade e pego o CD. Após fazer o pagamento, a surpresa. Quase esbarro em uma das loirinhas. Não vi que elas formaram uma breve fila atrás de mim. Por sorte, desviei e fui até a porta. Abro e o barulho invade o local, enquanto a música ambiente morre ao fundo.
Calçadão, gente correndo, gritando, brigando e eu desejando uma pauta boa para a tarde prestes a iniciar.


